São Paulo (SP) – O agravamento da crise de saúde mental no Brasil reflete-se em números alarmantes: as licenças médicas decorrentes de episódios de ansiedade e depressão saltaram 68% em 2024 na comparação com o ano anterior. Embora os atendimentos no Sistema Único de Saúde (SUS) sigam em trajetória de expansão, a complexidade desse cenário — que afeta globalmente mais de 1 bilhão de pessoas, segundo dados da Organização Mundial da Saúde — impõe desafios imensos, sobretudo nas periferias urbanas, onde o poder público sozinho muitas vezes não consegue suprir a alta demanda por cuidado psicológico.
Como resposta a essa lacuna nas áreas vulneráveis do estado de São Paulo, a Fundação Tide Setúbal abriu as inscrições para a terceira edição do Edital Territórios Clínicos. A iniciativa vai selecionar dez coletivos, grupos ou organizações da sociedade civil que atuem diretamente na ponta, oferecendo suporte clínico, formação profissional ou gerando conhecimento sobre o bem-estar psíquico nos territórios periféricos paulistas.
Para esta nova convocatória, as inscrições permanecem abertas até o dia 31 de agosto de 2026, devendo ser realizadas de forma digital por meio da plataforma oficial do edital. O processo está aberto tanto para entidades formalizadas quanto para grupos sem CNPJ. Ao todo, a fundação investirá R$ 2 milhões no projeto, distribuindo um aporte individual de R$ 200 mil para cada uma das dez propostas escolhidas, que também receberão acompanhamento técnico e capacitação voltada à sustentabilidade institucional por três anos.
A escolha dos beneficiados ocorrerá por meio de três fases avaliativas, que compreendem o exame dos planos de trabalho apresentados, a realização de entrevistas e, por fim, o crivo de um comitê composto por especialistas do setor de saúde mental e membros da instituição realizadora. A divulgação dos selecionados está agendada para dezembro de 2026, com o início das atividades de campo programado para 2027.
Historicamente, o edital acumula resultados consistentes desde sua criação, em 2021, tendo beneficiado 17 organizações com o repasse de R$ 2,2 milhões — montante que, na segunda edição, ganhou o reforço de R$ 597.476 por meio de uma campanha de financiamento coletivo com parceiros privados. Para a coordenação do programa, liderada por Fernanda Almeida, o projeto reconhece a centralidade da Rede de Atenção Psicossocial pública, mas atua na premissa de que as respostas mais potentes e adaptadas aos sofrimentos causados pelas desigualdades sociais, pela violência e pela precarização do trabalho frequentemente surgem das próprias comunidades afetadas.








