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Doença renal crônica avança em silêncio no Brasil por falhas graves no diagnóstico precoce

📷 Divulgação MS

Doença renal crônica avança em silêncio no Brasil por falhas graves no diagnóstico precoce

Estudo revela que exames simples para rastrear falência dos rins são ignorados na rotina médica de hipertensos e diabéticos

MundodaSaude by MundodaSaude
12 de Agosto, 2026
in Ultimas
Reading Time: 2 mins read
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A falta de exames preventivos básicos na rede de saúde pode estar camuflando a real dimensão da doença renal crônica no país. Uma pesquisa conduzida em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da Pontifícia Universidade Católica do Paraná revela que o volume de brasileiros dependentes de diálise pode ser significativamente maior do que o registrado, motivado principalmente pelo gargalo na identificação inicial da enfermidade.

O monitoramento de pacientes de alto risco, como diabéticos e hipertensos, esbarra na ausência de testes laboratoriais rotineiros. Ao analisar dados de mais de 14 mil indivíduos, os pesquisadores constataram que a dosagem de creatinina no sangue e a avaliação de proteína na urina, conhecida como albuminúria, raramente constam nas solicitações clínicas. Menos de 5% dos pacientes avaliados para creatinina tiveram o exame de urina correspondente solicitado pelos médicos, patamar que não passou de 7% mesmo após campanhas nacionais de conscientização.

Esse apagão diagnóstico impede que intervenções terapêuticas simples posterguem ou evitem a falência dos órgãos. Atualmente, a Sociedade Brasileira de Nefrologia estima que a patologia atinja mais de 20 milhões de pessoas em território nacional, o equivalente a cerca de 10% da população. Entre eles, mais de 170 mil já realizam terapia renal substitutiva, conforme dados do Censo Brasileiro de Diálise de 2024.

O cenário acende um alerta global, já que a Organização Mundial da Saúde projeta que a enfermidade se torne a quinta maior causa de morte no planeta até o ano de 2040. Por ser assintomática em suas fases iniciais, a descoberta tardia elimina a janela de oportunidade para preservar a função renal e mitigar ameaças cardiovasculares graves, reduzindo drasticamente a sobrevida do paciente.

O estudo, veiculado no Brazilian Journal of Nephrology, reuniu cientistas de diversas instituições de prestígio, incluindo a Universidade Estadual de Campinas, a Escola Bahiana de Medicina, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia e o Arbor Research Collaborative for Health. A publicação reforça que o controle de fatores como obesidade, tabagismo, hipertensão, histórico familiar e diabetes continua sendo a diretriz mais eficaz para conter o avanço do problema.

Tags: diagnóstico precocediálisedoença renal crônicanefrologiasaúde pública
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