Brasília (DF) – Mais de 40 milhões de brasileiros passam a ter acesso facilitado à prevenção do segundo câncer mais frequente no país, excetuando-se os tumores de pele não melanoma. O Sistema Único de Saúde integrou à sua tabela de procedimentos o teste imunoquímico fecal, conhecido como FIT, um exame de fezes de alta precisão projetado para detectar indícios da doença antes que os primeiros sintomas se manifestem. A medida tenta conter um avanço preocupante, já que o Instituto Nacional de Câncer estima a ocorrência de 53,8 mil novos casos de câncer colorretal a cada ano do triênio de 2026 a 2028.
Disponibilizado na rede pública desde segunda-feira (10), o FIT é direcionado especificamente ao rastreamento bienal de homens e mulheres assintomáticos com idade entre 50 e 75 anos. É um protocolo estritamente preventivo. O Ministério da Saúde, que já havia anunciado a incorporação da tecnologia em maio, ressalta que o exame não serve para a investigação diagnóstica de pacientes que já apresentam sintomas ou suspeita clínica ativa da doença.
A tecnologia do FIT supera os métodos antigos de pesquisa de sangue oculto por utilizar anticorpos específicos para detectar sangue humano, o que garante uma sensibilidade de 85% a 92% na identificação de alterações. Outro facilitador é a praticidade: o paciente recebe um kit para realizar a coleta em casa de forma confortável e sem a necessidade de dietas restritivas ou preparo intestinal complexo. Uma única amostra enviada ao laboratório basta para indicar se há necessidade de investigação aprofundada.
Se o teste apontar qualquer vestígio de sangue invisível a olho nu, o paciente é encaminhado para a realização de exames complementares. Apesar da eficácia e da facilidade do novo exame na triagem de massa, a colonoscopia permanece como o padrão definitivo de avaliação. Ela permite visualizar diretamente todo o cólon e o reto, além de viabilizar a retirada imediata de pólipos e lesões pré-cancerígenas, interrompendo a evolução da doença antes que ela se consolide.








