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Tratamento de esclerose múltipla avança no SUS com alta de 44,5% em remédio de ponta

📷 Arte EBC

Tratamento de esclerose múltipla avança no SUS com alta de 44,5% em remédio de ponta

Estudo indica que a atualização de diretrizes federais acelerou a oferta de terapias mais potentes contra a doença

MundodaSaude by MundodaSaude
24 de Agosto, 2026
in Neurologia
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Uma mudança silenciosa na regulamentação da saúde pública brasileira alterou drasticamente a realidade de quem convive com a esclerose múltipla no país. Entre os anos de 2019 e 2023, a distribuição do medicamento Natalizumabe — indicado para as variantes mais agressivas da patologia — registrou um salto de 44,5% na rede do Sistema Único de Saúde (SUS). O movimento coincide com um crescimento de 25,9% no volume de pacientes assistidos pelo sistema estatal.

Os dados constam de um levantamento conduzido por pesquisadores do Einstein Hospital Israelita, em cooperação com a Faculdade de Medicina de Botucatu da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e o Registro de Doenças Neurológicas (REDONE). O grupo examinou mais de 1,7 milhão de prontuários de dispensação de fármacos e publicou os achados no periódico científico Multiple Sclerosis and Related Disorders. A pesquisa mapeou os efeitos práticos da reformulação do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para a enfermidade, instituída em 2021.

A nova diretriz flexibilizou regras cruciais. Desde então, o Natalizumabe passou a ser recomendado como abordagem terapêutica inicial para indivíduos com o tipo remitente-recorrente de alta atividade, dispensando a exigência anterior de submetê-los a outros medicamentos menos potentes antes de autorizar o fármaco de ponta. Na prática, a transição de pacientes para terapias consideradas de alta performance aumentou 82%, enquanto as trocas inócuas entre remédios de mesma eficácia despencaram 54%.

A esclerose múltipla compromete o sistema nervoso central através de um ataque autoimune do próprio organismo. Embora incurável, a intervenção rápida preserva a autonomia e mitiga as crises físicas. Segundo a neurologista Lívia Almeida Dutra, coordenadora do Instituto do Cérebro do Einstein e coautora do estudo, a incorporação de terapias de ponta eleva expressivamente o controle sobre as sequelas físicas progressivas que a doença impõe no longo prazo.

Contudo, a velocidade dessa modernização médica não foi uniforme no território nacional. Os dados revelam que estados dotados de maior densidade de neurologistas e infraestrutura laboratorial especializada incorporaram as novas regras com muito mais agilidade que regiões menos guarnecidas.

Para Lucas Hernandes Correa, gerente do Centro de Estudos e Promoção de Políticas de Saúde do Einstein e também autor do trabalho, a análise desse volume massivo de dados do mundo real cumpre um papel pedagógico essencial para o SUS. O monitoramento contínuo permite calibrar os orçamentos e direcionar a infraestrutura de saúde para as reais carências regionais da população.

Tags: esclerose múltiplamedicamento de pontaNatalizumabesaúde públicaSUS
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