São Paulo (SP) – A escalada de casos de sarampo no estado de São Paulo provocou uma corrida intensa aos postos de saúde neste sábado (8), gerando filas extensas e longas horas de espera na capital. O movimento reflete a preocupação com o surto recente, que já registra 23 diagnósticos confirmados em território paulista, sendo a imensa maioria concentrada na própria capital metropolitana.
A distribuição do plantão concentrou 24 postos de imunização na zona leste, 17 na sul, 16 na norte, cinco na oeste e nenhum no centro. Com apenas 62 das 512 unidades de saúde da cidade abertas no fim de semana, o gargalo foi inevitável. Por volta das 13h, 57 desses locais registravam filas grandes. Na zona leste, a AMA UBS Integrada Água Rasa Dr. Marcos Andrade Corsato, entre o Tatuapé e a Mooca, teve filas na calçada e espera de mais de uma hora. Unidades como a AMA UBS Pari e a AMA UBS Massagista Mário Américo funcionavam com tempo médio, enquanto a AMA UBS Jardim São Jorge Paulo Eduardo Elias tinha fluxo pequeno. Já os postos Fazenda do Carmo e Vila Medeiros constavam como sem fila, mas os dados estavam desatualizados desde o início do dia.
O fluxo contínuo de pessoas foi impulsionado pelo alerta de colégios e pelas redes sociais. A dona de casa Ana Beatriz Chacur, de 42 anos, aguardava com o marido de 47 anos e as filhas gêmeas de 12 anos após receber uma recomendação da escola das meninas. No fim da fila na mesma unidade da Água Rasa, João Silva, de 21 anos, buscava se antecipar ao avanço do vírus após ler notícias sobre o surto na internet.
A mobilização do público gerou números recordes. Somente na sexta-feira (7), o município aplicou 109.584 vacinas, sendo 84.632 delas exclusivas contra o sarampo — o maior patamar diário desde o início da campanha, em 3 de agosto. O esforço é uma resposta direta ao perfil epidemiológico atual: das 23 infecções confirmadas no estado (20 na capital, duas em São Bernardo do Campo e uma em Guarulhos), 16 pacientes não estavam vacinados ou tinham o esquema incompleto.
Diante do risco iminente de propagação, o plano de contenção prevê vacinação generalizada para moradores de 6 meses a 59 anos nas três cidades com registros ativos, independentemente de doses anteriores recebidas. Para o restante do estado paulista, a diretriz consiste na busca ativa de faltosos e atualização das cadernetas em atraso.







