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Olho seco afeta mais crianças e adolescentes que passam horas vidrados em celulares

📷 Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Olho seco afeta mais crianças e adolescentes que passam horas vidrados em celulares

Falta de lubrificação ocular causada pela baixa frequência de piscadas acende alerta de especialistas durante congresso em Salvador

MundodaSaude by MundodaSaude
10 de Setembro, 2026
in Saúde
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Salvador (BA) – A cena é comum em quase qualquer lar: crianças e adolescentes de olhos fixos em telas de celulares ou tablets, completamente alheios ao que acontece ao redor. Mas esse hábito, aparentemente inofensivo, esconde um perigo silencioso para a saúde ocular dos mais jovens. Ao passarem horas concentrados nos dispositivos móveis, eles reduzem drasticamente a frequência de um gesto simples e essencial: o ato de piscar.

Essa desatenção involuntária impede a lubrificação correta da superfície dos olhos, gerando o que os especialistas chamam de olho seco. A condição ocorre quando a produção de lágrimas é insuficiente ou quando o líquido evapora de forma acelerada. Entre os sintomas mais frequentes relatados nos consultórios de oftalmologia pediátrica estão a queixa de ardência, coceira, vermelhidão, visão embaçada e uma incômoda sensação de areia nos olhos.

O alerta ganhou destaque em Salvador, onde médicos de todo o país debateram o tema durante o 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia (CBO 2026), evento que se estende até o próximo sábado (12). De acordo com a oftalmologista Ana Paula Silverio, os consultórios têm recebido um fluxo crescente de pais preocupados com filhos que começaram a piscar de forma excessiva ou irregular após longos períodos de exposição a telas posicionadas muito próximas ao rosto.

O risco se torna ainda mais acentuado entre os adolescentes. Além de passarem grande parte do dia utilizando smartphones — que possuem telas menores e, por isso, exigem maior esforço visual —, muitos mantêm o hábito de navegar na internet já deitados na cama, em quartos completamente escuros. Essa combinação de pouca luminosidade externa com o brilho intenso do aparelho agrava significativamente o desgaste da visão.

A transição das atividades escolares para o lazer digital dificulta o controle dos pais. Muitas escolas já adotaram computadores e tablets como ferramentas pedagógicas obrigatórias, o que significa que o jovem sai da sala de aula onde já usou tecnologia e, ao chegar em casa, migra direto para o celular em seus momentos de lazer. Isolar os filhos desse ecossistema tecnológico é uma tarefa praticamente impossível nos dias de hoje.

Diante desse cenário desafiador, a alternativa viável é a moderação e o estabelecimento de limites claros dentro de casa. A recomendação estabelecida pela Sociedade Brasileira de Pediatria para crianças com mais de seis anos e adolescentes é de, no máximo, duas horas diárias de exposição a telas. Controlar esse tempo e incentivar pausas regulares para descanso visual são as melhores armas para evitar danos crônicos à saúde ocular dessa nova geração.

Tags: oftalmologia pediátricaolho secosaúde infantilsaúde ocularuso de telas
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