Brasília (DF) – O avanço global na busca por tratamentos contra a obesidade e o diabetes acendeu um novo sinal de alerta sanitário no Brasil, onde a procura por soluções rápidas de perda de peso movimenta um mercado paralelo perigoso. Em uma medida para conter a circulação de substâncias sem validação científica, foi publicada no Diário Oficial da União, nesta terça-feira (1º), a Resolução-RE 3.440, datada de 31 de agosto de 2026. A norma proíbe sumariamente qualquer atividade relacionada aos produtos de uma marca específica no território nacional.
A determinação oficializa o recolhimento imediato de todo o portfólio sob a marca United Labz. Na prática, a medida inviabiliza desde a fabricação e importação até o armazenamento, distribuição, comércio, propaganda e o próprio uso de qualquer um dos itens por parte dos consumidores. A decisão decorre do fato de que os produtos são fabricados por uma empresa desconhecida, carecendo de qualquer registro, notificação ou cadastro na agência reguladora, apesar de serem amplamente anunciados e vendidos na internet.
Embora se apresente em sua página na internet como uma companhia norte-americana, a marca anuncia de forma livre e digital dispositivos importados conhecidos como canetas emagrecedoras. De acordo com as informações divulgadas pela própria empresa, essas formulações seriam supostamente compostas pelos princípios ativos Tirzepatida e Retatrutida, substâncias que geram forte apelo comercial.
A Tirzepatida é um insumo farmacêutico legítimo, utilizado de forma autorizada no tratamento de diabetes tipo 2 e no controle da obesidade. A Retatrutida, por outro lado, ainda atravessa fases de desenvolvimento clínico e sequer obteve registro ou aprovação para uso comercial em nenhum país até o momento. O consumo dessas substâncias sem chancela representa um risco imprevisto para a saúde pública.
Diante do forte interesse do público por esses tratamentos inovadores, que acompanha uma tendência global de consumo, o alerta serve como um freio na venda de terapias sem rastreabilidade. A agência reguladora brasileira reforça a necessidade de cautela, enfatizando o perigo iminente por trás de frascos e canetas de origem misteriosa.








