A ilusão de que a rotina de treinos intensos é capaz de blindar o organismo contra os estragos do tabaco ganhou um novo capítulo com a popularização dos cigarros eletrônicos. Muitos jovens acreditam que os dispositivos modernos ou até sachês de nicotina — frequentemente promovidos por influenciadores digitais e atletas nas redes sociais como estimulantes de bem-estar — são inofensivos para o fôlego. No entanto, a ciência alerta para uma incompatibilidade inconciliável: a atividade física e o uso de derivados da nicotina correm em direções opostas no corpo humano.
Enquanto o exercício regular trabalha para fortalecer os sistemas muscular, respiratório e cardiovascular, o tabagismo atua no desmonte sistemático dessas defesas. A psicóloga Vera Borges, especialista no tratamento do tabagismo, alerta que os usuários de cigarros convencionais e eletrônicos enfrentam uma perda drástica no rendimento esportivo, marcada por fadiga precoce, baixa resistência e uma recuperação muscular muito mais lenta após o esforço. Além disso, o risco de lesões e de complicações cardiovasculares graves durante treinos de alta intensidade se eleva consideravelmente.
O impacto negativo se traduz em mecanismos biológicos diretos. A nicotina provoca a contração imediata dos vasos sanguíneos, reduzindo o fluxo de sangue essencial para o funcionamento de músculos e órgãos. Ao mesmo tempo, ocorre uma severa privação de oxigênio, pois os componentes do tabaco diminuem a capacidade do sangue de transportar esse elemento vital durante o esforço. Para completar, o pulmão sofre com a inflamação das vias aéreas, o que reduz a capacidade respiratória geral do indivíduo.
O resultado prático de toda essa engrenagem comprometida é o desperdício de energia. Atividades físicas que exigiriam pouca carga de uma pessoa saudável demandam um esforço muito maior de quem consome nicotina. Por outro lado, o esporte pode se transformar em um forte aliado para quem deseja abandonar a dependência, ajudando a aliviar os sintomas da abstinência. Como resume a especialista, a prática de treinar e fumar é completamente incompatível quando o foco é a preservação da saúde.








