São Paulo (SP) – São Paulo registrou os primeiros casos de febre do Nilo Ocidental em humanos de sua história, acendendo um alerta na rede de saúde pública do país. Entre os infectados no estado, uma mulher de 34 anos de Ribeirão Preto já se recuperou após retornar de uma viagem à região amazônica, enquanto uma jovem de 18 anos, moradora de São José do Rio Preto, segue internada. A preocupação das autoridades sanitárias cresce com o registro de outros dois casos em Santa Catarina, que resultaram em um óbito, além de uma suspeita em análise no Piauí.
Diante deste cenário, o Ministério da Saúde intensificou as ações de vigilância epidemiológica e laboratorial em todo o território nacional. Segundo Tatiana Lang D’Agostini, diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica Prof. Alexandre Vranjac (CVE-SP), o acompanhamento é permanente e as equipes locais buscam identificar onde ocorreram as transmissões para orientar o bloqueio do mosquito transmissor, o pernilongo comum do gênero Culex.
A doença, que não possui vacina ou tratamento antiviral específico para humanos, manifesta sintomas em apenas 20% das pessoas infectadas. Na maioria dessas situações, o paciente apresenta um quadro leve com febre, mal-estar, dores no corpo e de cabeça, perda de apetite e manchas avermelhadas na pele. O repouso absoluto e a hidratação constante, associados a medicamentos para aliviar as dores, são as únicas armas disponíveis para os casos mais brandos.
O maior perigo reside na evolução silenciosa para complicações neurológicas graves, como meningite e encefalite. Quando o vírus atinge o sistema nervoso central, surgem sinais de alerta que exigem socorro médico imediato: tremores, convulsões, confusão mental e perda de consciência. Nesses cenários críticos, a internação em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) torna-se indispensável para garantir suporte respiratório e hidratação na tentativa de preservar a vida do paciente.
Sem uma medicação que combata diretamente o vírus, a prevenção individual continua sendo o método mais eficaz de defesa. O controle do vetor exige atitudes cotidianas simples, como o uso regular de repelentes, a instalação de telas de proteção em portas e janelas e, principalmente, a eliminação rigorosa de recipientes com água parada, onde os mosquitos costumam depositar seus ovos.







