A busca por proteção contra infecções respiratórias na infância alterou a rotina dos consultórios de pré-natal no Brasil. Um estudo realizado com 530 brasileiras de 18 a 45 anos revela que a bronquiolite se tornou a principal infecção no radar de 60% das grávidas no país, um salto expressivo em relação aos 40% registrados dois anos antes. Paralelamente, a parcela de mulheres que conhecem ou já ouviram falar do vírus sincicial respiratório (VSR) subiu de 58% para 70%.
Apesar do interesse crescente, dúvidas e percepções equivocadas ainda são frequentes. Cerca de 79% das entrevistadas apresentaram ao menos uma incerteza sobre o tema, e apenas 13% responderam corretamente a todas as questões. Embora 72% das participantes saibam da existência de um calendário vacinal próprio para a gestação — frente a 58% em 2024 —, um quarto das grávidas acredita que deve seguir apenas a imunização por faixa etária. Além disso, 31% ainda não compreendem que as doses tomadas pela mãe transferem proteção ao recém-nascido.
A imunização para o VSR foi autorizada no país em 2024 e incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS) em dezembro de 2025. A médica Adriana Ribeiro pondera que o acompanhamento pré-natal é o momento central para esclarecer a relação entre a vacina e a proteção do bebê, sobretudo porque a bronquiolite é uma das principais causas de internação hospitalar em crianças menores de três anos e idosos. A cobertura nacional em gestantes está em torno de 84%, mas estados como São Paulo, Rio de Janeiro e vários pontos da Região Norte permanecem abaixo de 80%.
As diferenças regionais também marcam o avanço da conscientização. No Sudeste, 74% das gestantes afirmam conhecer o VSR, alta de 21 pontos percentuais, enquanto o receio da bronquiolite subiu de 40% para 55%, com 43% reconhecendo riscos de hospitalização e morte. Nas regiões Norte e Centro-Oeste, a percepção da doença disparou de 12% para 47%, metade já reconhece a gravidade do quadro e 40% associam a infecção ao VSR. Contudo, a falta de informação sobre a oferta gratuita da prevenção no SUS atinge 46% das gestantes no Sudeste e 38% no Norte e Centro-Oeste.
O engajamento da equipe médica tem sido fundamental para mudar esse cenário. O índice de profissionais que recomendam a vacinação durante a gravidez subiu de 77% para 88%. Das mulheres que recebem a orientação, 96% afirmam que seguem ou pretendem seguir a indicação, enquanto 71% relatam cumprir integralmente as recomendações do pré-natal.








