Manaus (AM) – O agravamento da crise climática no Amazonas forçou a instalação de uma base regional da Força Nacional do SUS em Manaus. A iniciativa busca ampliar a capacidade de resposta diante da alta demanda por cuidados médicos gerada pela intensa fumaça dos incêndios florestais que atingem o estado. Dados da Fundação de Vigilância em Saúde apontam que, entre o início de outubro e o dia 14, a rede pública registrou 541 atendimentos diretamente relacionados à exposição aos poluentes atmosféricos.
O combate às chamas mobiliza esforços intensos, com 13 focos de incêndio ativos monitorados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais nas últimas 23 horas. Até o momento, a força-tarefa responsável pela contenção do fogo já executou cerca de 370 lançamentos de água sobre as áreas críticas.
Rodrigo Stabeli, diretor da Força Nacional do SUS, explica que o papel da nova estrutura é mapear em tempo real a escassez de suprimentos médicos nas cidades mais impactadas. Com base nessa análise, o órgão organiza o envio estratégico de ajuda para aliviar o sistema de saúde local. Para operacionalizar essa logística, as autoridades utilizam um painel interativo que centraliza dados enviados por 43 municípios sobre o volume de atendimentos e as necessidades específicas de cada unidade de saúde.
A estratégia permite que o deslocamento de equipes e equipamentos ocorra em um prazo máximo de 72 horas. O transporte de profissionais e insumos é realizado por meio de uma malha logística que envolve o uso de embarcações e aeronaves, garantindo acesso às áreas mais remotas da região. A agilidade é considerada essencial para evitar o colapso do atendimento diante do cenário atual.
Esta é a quarta unidade regional inaugurada no país pela Força Nacional do SUS. O planejamento prevê a instalação de uma base adicional em Porto Velho ainda nesta semana. A medida faz parte de um plano estruturado para enfrentar os efeitos climáticos na saúde pública, especialmente com as previsões associadas ao fenômeno El Niño, que deve intensificar o período de seca na Região Norte ao longo dos próximos meses.








