Brasília (DF) – A recente reconquista do certificado de país livre do sarampo, obtida pelo Brasil em 2024, exige um esforço contínuo de vigilância que movimentou postos de saúde de todo o país neste sábado (22). O chamado Dia D da Campanha Multivacinação mobilizou estados e municípios para atualizar a caderneta de crianças e adultos, servindo também como um alerta crucial frente ao avanço global de doenças controladas.
O foco principal está em evitar o retrocesso. O avanço de discursos antivacina no exterior provocou surtos graves em diversos países. Nos Estados Unidos, a situação recente de contágio acabou respingando no Canadá e no México, gerando reflexos por aqui: no ano passado, o Brasil registrou 38 casos importados de sarampo. A propagação só não ocorreu graças ao bloqueio vacinal coordenado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O fantasma de 2019, quando um surto em São Paulo com mais de 20 mil casos custou ao país o título de território livre da doença, ainda dita o ritmo de alerta das autoridades de saúde.
Durante a mobilização na Unidade Básica de Saúde da 612 Sul, em Brasília, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, enfatizou que o momento atual exige atenção redobrada, principalmente para profissionais que atuam no turismo e transporte, além de crianças e adultos de até 59 anos. A campanha deste ano traz uma novidade importante: a estreia da vacina pneumocócica 20-valente (pneumo 20), que amplia o espectro de proteção contra pneumonias e meningites em menores de 5 anos, integrando um conjunto de 17 imunizantes do calendário oficial.
Na prática, o movimento nos postos traduz-se em histórias de conscientização familiar. O estudante Noam Medeiros, de 10 anos, não demonstrou qualquer receio diante das seringas ao receber as duas doses que faltavam em seu prontuário. Acostumado a procedimentos médicos devido a internações anteriores, o garoto encarou o momento com tranquilidade, acompanhado pela mãe, a bancária Ana Paula Medeiros, de 45 anos, que reforçou a importância de manter a imunidade coletiva em dia após acompanhar a mobilização na televisão.
O compromisso com a prevenção atravessa gerações. No mesmo posto no Distrito Federal, a aposentada Lúcia Araújo, de 91 anos, garantiu sua imunização em um atendimento rápido de menos de dez minutos. Para ela, a visita frequente às campanhas de vacinação é um rito indispensável de segurança e preservação da própria saúde.







