Brasília (DF) – Apesar do suprimento regular de imunizantes nos postos de saúde de todo o país, a hesitação motivada por conteúdos falsos fez com que apenas 5% das crianças pequenas brasileiras recebessem o esquema completo de três doses contra a covid-19. Esse cenário de baixa proteção reflete-se diretamente nos hospitais: mais de 1,1 mil menores de 14 anos precisaram de internação por complicações respiratórias graves provocadas pelo vírus, resultando em 25 mortes, sendo 15 delas em bebês com menos de 2 anos.
O diretor do Programa Nacional de Imunizações, Eder Gatti, ressalta que o orçamento do órgão saltou de R$ 5 bilhões para quase R$ 10 bilhões previstos para o próximo período. No entanto, os discursos contrários à ciência comprometem a eficiência logística. Como as doses infantis exigem descongelamento prévio e possuem validade de apenas dez semanas após a manipulação, a ausência de público nas unidades leva ao descarte desnecessário de insumos já adquiridos pelo governo federal.
A vacina está integrada ao calendário básico infantil desde 2024 para bebês de 6, 7 e 9 meses, podendo ser aplicada até os 5 anos. Dados de monitoramento comprovam a segurança dos imunizantes: entre as mais de 6 milhões de aplicações em crianças, não houve registro de óbitos causados pelas doses e 92% das reações notificadas foram leves. Pesquisas da Universidade de São Paulo apontam que a imunização reduz em 97% os casos graves no público infantil, superando amplamente os riscos da infecção natural, que pode desencadear Síndrome Inflamatória Multissistêmica e sequelas cardíacas.
Embora a cobertura contra o coronavírus enfrente resistência, a imunização geral no Brasil demonstra sinais de recuperação. Sete das vacinas oferecidas no primeiro ano de vida ultrapassaram a marca de 90% de cobertura recentemente. Além disso, a incorporação do imunizante contra a dengue, que já soma quase 12 milhões de aplicações, e a atualização da vacina pneumocócica VPC20 visam conter surtos de meningite e pneumonia, reforçando a proteção da população jovem frente a diferentes ameaças à saúde pública.






