Brasília (DF) – A digitalização da saúde no Brasil avança sobre uma das áreas mais sensíveis do setor: o mercado de medicamentos controlados. Começou a funcionar a nova etapa do Sistema Nacional de Controle de Receituários (SNCR), que permite a emissão e a fiscalização por meios eletrônicos de prescrições que antes exigiam papel físico, como as notificações azuis e amarelas, além de terapias com talidomida e retinoides.
O novo fluxo também engloba as receitas brancas de controle especial e retenção, incluindo antibióticos e os populares agonistas de GLP-1, as chamadas canetas emagrecedoras. Contudo, a migração não extingue os blocos de papel tradicionais nem impõe a receita digital como obrigatória. A ideia da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é oferecer caminhos paralelos que facilitem a rotina dos consultórios e das farmácias.
Para as receitas brancas, o cronograma estipula uma transição rápida. Até o dia 29 de outubro, formatos físicos e digitais (integrados ou não ao sistema nacional) operam juntos. A partir do dia 30 de outubro, no entanto, qualquer receita branca que seja gerada eletronicamente precisará estar conectada ao SNCR, eliminando modelos digitais isolados que funcionavam anteriormente.
No consultório, a rotina dos médicos ganha uma etapa técnica invisível ao paciente. Os profissionais continuam operando suas plataformas habituais de prescrição, que agora conversam em segundo plano com a base de dados federal. Para emitir notificações de receita do tipo A, B ou B2, o médico ainda depende de numerações liberadas pela vigilância sanitária local, mas o processo de validação é totalmente automatizado via sistema.
Na outra ponta, o atendimento farmacêutico ganha mais segurança. Ao receber a prescrição digital, o estabelecimento usa a plataforma integrada para atestar que o documento é autêntico, checar os dados do médico e dar baixa definitiva na numeração. Esse registro em tempo real impede que uma mesma receita seja reutilizada de forma fraudulenta em múltiplos pontos de venda, utilizando inclusive a leitura rápida de códigos QR.
Criado originalmente em julho de 2024 para dar suporte administrativo às vigilâncias sanitárias do país, o SNCR centraliza a base histórica de numerações. Agora, a unificação nacional de receitas eletrônicas e físicas amarra uma ponta importante da segurança pública na saúde, mitigando fraudes e permitindo um rastreamento preciso sobre a dispensação de substâncias de alta potência no território brasileiro.







